Mesmo diante do aquecimento global cada vez mais disseminado, as plantas ainda sobreviverão por muito tempo na Terra. Um novo estudo, liderado pela organização sem fins lucrativos Blue Marble Space, nos Estados Unidos, simula cenários climáticos futuros e revela que a biosfera vegetal poderá viver entre 1,35 bilhão e 1,86 bilhão de anos além do que estudos anteriores apontavam [1].

Os pesquisadores afirmam que essa estimativa otimista depende do regime de intemperismo — uma reação química entre rochas, chuva e dióxido de carbono (CO₂) que remove o gás da atmosfera e o deposita no fundo do mar [1]. Para as plantas, esse equilíbrio de CO₂ é vital, pois o gás é essencial para a fotossíntese [1].

O trabalho, publicado no Journal of Geophysical Research: Atmospheres em 28 de maio de 2026, utilizou um modelo climático de circulação geral 3D para simular cenários de intemperismo forte e fraco [1]. No cenário de intemperismo fraco, o planeta ficaria mais quente, o efeito estufa seria maior e o CO₂ estaria presente em níveis consideráveis, permitindo a sobrevivência das plantas por até 1,86 bilhão de anos além das estimativas anteriores [1]. No entanto, anos depois a Terra perderia as condições de vida [1].

No cenário de intemperismo forte, a reação química retiraria mais CO₂ da atmosfera, diminuindo o efeito estufa e compensando parte do aquecimento causado pelo Sol. Contudo, as plantas ficariam sem matéria-prima para sobreviver por mais tempo [1].

Os pesquisadores analisaram três classes de plantas: C3 (95% da Terra, como soja, feijão e trigo), C4 (3% da Terra, como milho e cana-de-açúcar) e CAM (2% da Terra, como cactos e bromélias) [1]. As plantas C3 não sobrevivem a concentrações de CO₂ abaixo de 50 ppm; as C4, abaixo de 10 ppm; e as CAM, abaixo de 10 ppm [1].

“Descobrimos que a vida na Terra sobreviveria pelo menos até que o brilho intenso do Sol evaporasse nossos oceanos, daqui a quase 2 bilhões de anos”, disse Jacob Haqq-Misra, um dos autores do estudo [1]. “E mesmo assim, a vida pode encontrar uma maneira de deixar a Terra e continuar prosperando além dela”, afirma Haqq-Misra em comunicado [1].

O resultado dessa estimativa difere das anteriores porque se baseia em um modelo climático que considera a grande gama de composições atmosféricas no planeta, ao contrário dos outros estudos [1].